domingo, março 12, 2006

Segurança

Bem, estava em casa quando uma amigo meu que tomou a sábia decisão de ir estudar para fora me ligou… estava à minha porta… um clássico – e é sempre bom rever velhos amigos. Bem, um serão nada complicado: ir a casa de um amigo nosso, falar um pouco, trocar uma música… matar as horas. Quando ele disse que tinha de ir para casa ainda era muito cedo… meia-noite, uma da manhã… algo assim. Para mim ainda era muito cedo… nada me esperava em casa e a noite até estava agradável apesar do nevoeiro.

Portanto, vim a casa buscar a máquina, e dei a fuga para a rua: planeava ir tirar umas fotos à auto-estrada que passa aqui perto, mas a noite não me deixava encontrar o plano que queria: estava demasiado nevoeiro sobre o rio… tudo estava cego. Mas não deixei que isso me impedisse. Andei às voltas pelas ruas desertas de gaia profunda. A única criatura que me incomodou foi um cão mais zeloso que não parou de ladrar enquanto não passei o seu território – compreensível, porque de noite todos os gatos são pardos.

Agora voltei a casa e escrevo. E não consigo deixar de pensar na estranheza do meu dia: começou bem, perfeito. Algures lá no meio algo se confundiu, misturou e houve uma qualquer reacção química estranha – um dia destes vou morrer às custas disso… Mas não é sobre isso que quero falar.

Qualquer indivíduo diz e afirma que vive numa sociedade livre, na qual se pode mover e falar – em suma, viver e estar como acha que é mais correcto, sem forçar nada nem ninguém à sua vontade… mas é sempre muito complicado definir algo como a liberdade, a democracia, as fronteiras pessoais.

Estava hoje a fotografar no metro, perdido no meu alheamento habitual (e devo fazer uma ressalva neste momento: nada em mim me assemelha a um terrorista) quando um segurança se dirige para mim a dizer-me que não posso fotografar… havia dois polícias presentes, distantes de toda esta situação. A estranheza toda é que já fotografei todas as estações de metro existentes desde a minha paragem inicial até à Casa da Música. Nunca ninguém me tinha avisado de que tal era proibido – para muito espanto meu, uma vez que agora há fantasmas sobre nós… (e trancas à porta e ai Jesus! - e todas as fórmulas de medo e falência humana). A conversa prossegue com o senhor a dizer-me que me poderia apreender a máquina, que podia chamar os dois polícias ali perto, a tentarem permanecer despercebidos, e que eles me identificariam, reteriam a máquina, me pediriam explicações… nesta altura, e para acautelar qualquer hipótese de roubo, guardo a máquina, permaneço com um sorriso perante toda aquela situação. Ele acalmou instintivamente… diz-me que devo estar curioso quanto às razões: leva-me a ver o regulamento do metro. Não encontrei lá nada, aconselha-me a ver isso. Aponta-me as câmaras, a empresa, a segurança, as ordens, as licenças em falta, as câmaras… Não era mau tipo… aspecto aprumado de quem cumpriu o serviço militar… se calhar estava sozinho num qualquer deserto e quis comunicar. Não me assustou, não me roubou, mostrou trabalho perante as máquinas que inexoravelmente gravam todos os nossos gestos.

Compreendo os problemas de segurança e não sou tão inocente que acredite que não há pessoas de fazer reconhecimento fotográfico de locais que desejam destruir: mas tendo em conta que hoje se fazem vídeos com qualquer telemóvel, todas as nossas preocupações me parecem um pouco vãs.

Bem, mas agora estou aqui e posso falar livremente sobre isso… compreendendo as razões que levam a um progressivo encerramento dos pequenos países que todos somos, cada vez mais ilhas perdidas no imprevisível contacto preestabelecido.

(Ai Jesus, espero que uma certa empresa não encontre aqui provas para um processo!)


José de Arimateia, procurando os significados destes pequenos símbolos

2 Comentários:

Blogger Ken Ewing Disse as coisas que se seguem:

A paranóia da segurança há!
Por incrível que pareça o sitio onde me sinto mais seguro e onde me refugio sempre que tenho tempo livre é na "Escócia", supostamente um sitio sinistro no meio do nada. No dito local é possivel viajar no Airplane do Jefferson e abrir as Doors do subconsciente.

Grande Abraço!

17/3/06 02:30

 
Blogger Ken Ewing Disse as coisas que se seguem:

Há planos de jardinagem no fim de semana? Tou de folga nos mesmos.

Xiquince.

17/3/06 02:40

 

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